sábado, 9 de abril de 2011

Procuro...

Procuro a liberdade,

Mas não dos seus doces beijos e abraços macios em que me torno senhor de mim mesmo nas suas águas

Procuro a liberdade,

Mas não aquela que Deus (será Deus mesmo?) me promete se for vigia da minha própria carne,

Desconfio dessas recompensas que nos pedem antes a submissão.

Procuro a liberdade,

que não me faça me preocupar com as credenciais do passado ou promessas do futuro,

Procuro a liberdade,

A qual não sei se perdi pois não sei se a tive ou se pelo menos passou em minhas mãos.

Aquela que passará como um instante, mas eternamente lembrada.

Procuro a liberdade em mim.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A função de uma charge...

No Sábado passado, dia 12 de Março de 2011, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma charge do desenhista João Montanaro, que é no meu entender desrespeitosa, sobre a catástrofe ocorrida no Japão, fazendo alusão a uma famosa xilogravura de 1830, “Tsunami em Kanagawa”, Katsushika Hokusai .
Resolvi então escrever ao jornal sobre a péssima impressão que a charge me deixara, acredito que em determinadas situações certas manifestações não são cabíveis, tal qual como ocorrera com a charge. A minha carta fora publicada na edição desta segunda, 14 de março de 2011, e segue abaixo. Gostaria de pedir a todos que, se puderem, dêem uma olhada no meu escrito. Obrigado =)!

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"A página A2 do jornal Folha de São Paulo reserva espaço à opniões e críticas de jornalistas e outros membros ilustres da sociedade civil. Reserva espaço ainda, neste bloco de opniões, ao uso de charges como forma de expressão crítica retocada de humor de seus desenhistas.
Todavia, ao abrir o jornal deste sábado, 12 de março de 2011, nestá página, deparei-me com uma grande dúvida: qual o intuito daquela charge? Há intenção crítica?.
Qual a inteção do chargista João Montanaro ao retratar a catástrofe decorrente de um tsunami que arrasou o noroeste do Japão daquela maneira? Não se presta homenagem à tragédias, senão aos mortos decorrentes dela, nem se presta a realizar comicidade com fatos dessa natureza. A Guernica de Picasso retrata a tragédia da guerra, mas incute ao observador o horror que fora a Guerra Civil Espanhola, mas e a charge de João Montanaro?
Não me parece haver crítica, ou qualquer fundamento neste desenho para que mereça o espaço daquela página, carece de sentido. Caso seja a comicidade, penso ser importante rir da tragédia humana, mas rir inclusive daquelas em que não fora causadas por algum outro homem? Rir daquelas em que morrem centenas de inocentes? Que culpa temos no surgimento de um Tsunami?
Talvez se diga que é importante notas deste tipo para que o leitor saiba do ocorrido. Mas, acredito que notas sóbrias, notícias na página Mundo, ou faixas de luto são mais próprias para a ocasião. Momentos como esse não comportam essas charges.

Obrigado pela atenção,

Danilo Goto."

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pra acreditar...

Estou doente. Não é o melhor jeito de se começar um texto senão se o que se quer é deixar um tom de drama ou piedade, não é isso. Enfim, não mereço a sua compaixão, afinal, trata-se de uma mera gripe e estou assim por culpa minha. Tomei chuva por esquecer voluntariamente o guarda chuva fechado na mão direita. Que mal faria andar devagarzinho e sentir os pingos no rosto? Às vezes se paga um preço por querer voltar a ser criança.

Faltam duas provas, oito já passadas e mais quatro trabalhos vencidos em noites madrugadas, falta pouco para as férias, longos três meses dos quais não saberei o que fazer com tanto tempo e alguma dose de tédio, embora com surpresas espalhadas em pacotinhos ao longo desses dias que estão por vir.

É domingo e preciso estudar pra essa maldita prova de contratos, saber minuciosamente o mecanismo de compra e venda, da locação e ler um calhamaço de mais de cem folhas de letras não maiores que a da bula do remédio. Respiro mal, tenho preguiça, a tosse me acomete, não consigo me concentrar pra prova, quero dormir. Acordo as oito, o dia que tem que render não rende. A minha cabeça gira tal como se estivesse acabando de sair de alguma ressaca, não poderia estar pior: as olheiras denunciam o meu péssimo estado.

Já é quase onze da noite, meu corpo não agüenta mais o estudo mal feito durante o dia, abafado de mais de trinta graus. Sequer cheguei a cumprir a meta de ler as cento e cinqüenta paginas, mal passei da sessenta e três, mas consegui pensar nas mais variadas desculpas que daria ao professor por ir tão mal na prova.

É só uma nota, que mal terá? Preciso apenas de dois pontos pra passar. Não, não há mais o que fazer, a minha ultima esperança é rezar, deixar na mão de Deus.

Pensei numa solução mais próxima, Deus tinha mais com o que se preocupar. Olho para o meu pulso direito,fecho os olhos e peço para que aquilo que tinha estudado, mesmo que mulio mal, fosse o que cairia na prova e também que a minha saúde melhorasse. Fico em silencio por alguns instantes, então beijo duas vezes a pulseirinha da sorte, um para cada pedido e entrego na mão do acaso ou da sorte, que seja. Vou dormir.

De fato acordo melhor, com um pouco de tosse ainda, mas não tão enfermo como antes. Beijo o pulso pela terceira vez, agora em sinal de agradecimento pela melhora,.

Pelo menos uma coisa, mas e agora? Daqui a trinta minutos estarei sentado naquela cadeira, dura esperando a pior das hipóteses de ter que consumir mais algum tempo no estudo dessa matéria tão entendiante. Não, não há o que se remoer, pensava , agora é encarar de frente.

A prova chega, não há mais o que fazer, oito questões que me consumiriam no mínimo duas horas e quatro folhas escritas mais um pulso dolorido de tanto escrever se soubesse a matéria perguntada, ou menos de quinze minutos para preencher o cabeçalho, responder uma ou outra questão e deixar uma desculpa ao corretor da prova. Dou uma olhada na folha rapidamente, dou outra pra tentar acreditar no que acontecia. Beijo a pulseira da sorte pela quarta vez. Não era nem dez da manhã e meu dia já estava inexplicavelmente ganho.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A partida

O novo olhar do dia ,

o passado preto e branco arrasado,

mas não descartável,

vira batido,

não sucata.


O sol de crista e coroa

vem bem intencionado.

Um corpo se livra das correntes,

Atira-se do abismo.


O futuro vem ao nosso encontro,

o tempo voa,

vira presente,

ultrapassa e passa passado.


Rasante em nosso peito é o instante,

mais uma pintura amassada,

novo papel de parede.


As malas meio abarrotadas

Deixam cair certos pertences na estrada.

Não vemos,não há tempo de recolher.

Não queremos,há dores a esconder.


Mas, percebemos algo:

As memórias ficam.


A casa está putrefata,

O trem está vindo,

Depressa!

A nave não cobra passagem,

Mas não garante viagem!


Não olhe para as águas fontes das marcas,

Mire o mastro que se levanta aos céus.

É a vela de um novo vento

Que a espera para retirar certas teias mal resolvidas.


Sopre firme, avante a novos reinos e nuvens.

Apenas não esqueça o motivo de sua ida:

Não chegue a novos ares sem saber quem fora,

Não jogue âncora à terra sem saber o porquê fugira.


Não pude embarcar em mesma nave.

Apenas peço que não se esqueça

Do meu lenço com passagens da nossa história.


Quando encontrá-la,

serão novas marcas,

novos rostos,

novos cheiros,

novos gostos,

novo cais.


Espero cruzar mesmo mastro

e hastear bandeira comum,

mas até lá ,

guardo com carinho

a pequena formosura

que fora essa aventura em versos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pra ver jibóias ao invés de chapéus

Hoje é dia doze de outubro, para os religiosos, dia de Nossa Senhora Aparecida, para os nem tanto ou os menores, é dia de receber presentes, dia das crianças.

Lembro que durante a minha infância costumava receber dinheiro dos meus pais. Não tinham muito tempo pra comprar presente, também não os culpo. Meu pai trabalha de segunda à sábado das oito da manhã às oito da noite e de domingo costuma ficar boa parte do dia, mamãe também o ajuda e ainda tem os afazeres domésticos.

Não posso dizer que eles não se importam comigo, ou que não me conhecem e pouco se preocupam com o que eu realmente queria. Dinheiro não trás felicidade alguma, mas o gesto de se lembrar de mim já vale muito mais que qualquer brinquedo podia me dar.

Engraçado que mesmo com dezenove anos, já quase vinte, meu pai entrou no meu quarto, enquanto eu escrevia algum e-mail, e me deixou dinheiro.

- É pra pagar o quê? – perguntei.

-Feliz dia das crianças – foi o que me disse com um sorriso no rosto

Levantei da cadeira e dei-lhe um abraço com há tempos não dava.

-Obrigado

Desconfio que meu pai talvez não saiba ao certo a minha idade, afinal, ele mal sabe a dele, como se lembraria da minha? Talvez ele ainda pense que tenho treze ou quatorze anos, mas prefiro pensar que ele ainda enxerga em mim algo de criança, o que me deixa muito feliz.

Penso que não o simples passar do tempo não é suficiente pra dizer que passamos de fase. Com doze viramos projetos de gente grande pra então com dezoito viramos adultos? Até pode ser, mas confesso que isso não trás muitas vantagens, no mais dá pra dirigir carro, tomar umas no bar.

Aliás, nunca devíamos deixar de sermos crianças, no mais, deixar de ser infantis. É necessário conservar certos sonhos simples como poder voar ficar maravilhado com o caminhar das nuvens no céu, pegar pinguinhos de chuva com a língua, comer doce até doer o dente.

Ser criança é enxergar aquilo que os adultos negam. Aquilo que dizem que a maturidade já lhes ofuscara os olhos. Não, que engano! Ser maduro nada tem a ver com deixar de ser criança, tem sim com deixar de ser infantil.

Gosto de ser bobo, deitar e rolar na grama, derrubar os outros nela, rir de bobeiras e isso tudo sem deixar de conservar certas responsabilidades.

Ok, você pode até dizer: o que um garoto de dezenove anos sabe sobre responsabilidades? Sinceramente, pouca coisa. Mas eu sei que, sabendo mais ou menos, não deixarei de ser criança, porque assim posso ver aquilo que adultos se negam a ver, porque dizem ser muito ocupados, sem tempo, mas sem saber o porquê ou pra quê de viverem numa vida frenética. Quando conseguirão parar pra ver o sol entre as nuvens e achar isso bom?

Quero ver o céu se movendo e pintá-lo de lápis de cor, quero ir até a lua e colocar algumas estrelas no bolso. Quero nunca colocar a culpa em responsabilidades quando deixar de me divertir soprando bolinhas de sabão.Quero apenas poder sempre olhar uma jibóia que engoliu um elefante quando muitos virão apenas um chapéu.

Enfim, Feliz dia das crianças a todos ;)!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Trufas

Mamãe não é a maior fã de doces, mas, desde que abriu uma Cacau Show a 50 m de distância da ótica em que trabalha, ela sempre compra um ou outro chocolate.

A última aquisição foi um apanhado de trufas, umas 10, se não me engano.

- Tava caro, mas como eram 10 por tantos reais aproveitei a promoção.

Como se isso justificasse comprar tanto chocolate, melhor seria ser sincero e dizer que comer doces é parte da filosofia de vida ou assumir descaradamente o vício por açúcar, ou os dois ao mesmo tempo.
Peguei a trufa de torta holandesa, a qual como enquanto te escrevo neste exato momento, meu teclado com rastros de chocolate não me deixam mentir.

-Comprei esse aqui também, a moça da loja era diferente.

-É do quê?

-Dá uma olhada aí, acho que é chocolate com pimenta, se tiver coragem pode comer.

Mal sabia a minha mãe que eu já comi, não tal trufa, mas algo que era pimenta e chocolate ao mesmo tempo e não era também doce. A memória veio e me lembrei de ter me enfiado na torneira pra tirar aqueles resquícios de semente de dedo de moça da minha língua.

Deu-me certa nostalgia e uns risos, inclusive de alguém metendo goela abaixo meia garrafa d’água. A trufa continua por lá, esperando alguém corajoso. Estou com uma certa azia, não sei se é por pensar no que aconteceria se eu tivesse engolido por inteiro aquela pimenta londrinense ou se é por que eu tive três cafés da manhã hoje.

Muito embora tenha jurado não provar mais dessa combinação traumática, acho que certa saudade me fará encarar essa trufa. Talvez, terá um gosto melhor que aquele feito com chocolate alpino derretido no fogão ou no microondas, mas com certeza não terá o mesmo encanto e as mesmas risadas. Definitivamente, não é a mesma coisa.

domingo, 22 de agosto de 2010

Estação Paraíso

Quando o sorriso se assemelha mais a um ponto final,
Os olhos não miram mais longe que um palmo do nariz.
Nessas horas é preciso parar de tentar fugir dos fatos consumados
Ou ser sonhador
De tempos consumidos.
É preciso se sentar,mesmo que na calçada,
Respirar fundo
...e...
... olhar para o céu.

Os belos fios dourados tocando as pessoas percorrem distâncias inimagináveis.
As nuvens de grandeza imponente e leveza contraditória
Abrem caminho para semear os campos
enquanto o vento sussurra um canto de sensibilidade.

Nessas horas, é preciso abdicar de certas coisas.
O trabalho pode acumular.
A esposa e as contas esperar.
As responsabilidades também.
Às vezes é importante parar de pagar a conta para outros,
É preciso saldar a dívida consigo mesmo.
Às vezes é preciso se manter distante do mundo para aprender certos valores adormecidos em nossa mente apenas
Esperando
Um olhar,
Um espirro,
Um gesto patético que seja.

Não é mais hora de procurar os detalhes do mundo,
Desejar sem saber por que desejou
Ou angariar mais medalhas
Ou latões coloridos no peito.
É tempo de perceber o pequeno mundo
Dentro de um vidro poeirento chamado Eu.