Ora, pensei, bastava dizer a este senhor que não tinha mais direito a nada, seja por prescrição, seja por força da coisa julgada. Bastava dizer que o que ele podia pedir, já foi pedido e se não o fora, nada mais poderia ser feito. Mas não foi bem assim.
domingo, 17 de junho de 2012
Dia de um Dejotiano
Ora, pensei, bastava dizer a este senhor que não tinha mais direito a nada, seja por prescrição, seja por força da coisa julgada. Bastava dizer que o que ele podia pedir, já foi pedido e se não o fora, nada mais poderia ser feito. Mas não foi bem assim.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Carta de Ano Novo
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Confiança
Confiança
Não se pede nas listas de natal ou se acha nas árvores da primavera.
Confiança
Não se acha por aí nas ruas por acaso, ou numa raspadinha de lotérica.
Confiança,
Com C maiúsculo,
Não se ganha, meu caro.
Se conquista.
E,
Pra tanto,
Leva tempo
(e quanto!)
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Estrondo nas Arcadas
Do prédio de três andares, descia rumo ao segundo para uma aula nada animadora. Era manhã de quinta feira, ou melhor, final de madrugada, por volta das oito horas. O sono batia forte e, não fosse o estrondo tão grande, talvez não tivesse corrido pra ver o que ocorrera.
Uma barulheira de coisas se esparramando pelo chão e então, a cena. Uma garota desconhecida de cabelos ruivos cheios debruçada sobre os degraus. Coitada!Deve ter sido um baita tombo.
Preocupado, corro em sua direção. Estendo-lhe a mão para que levantasse e digo:
-Oi, quer uma ajuda?
E como se a minha mão tivesse sido, além de um ultrajante deboche, a invisível culpada por fazê-la tropeçar na escadaria, ela bufa e esbraveja como se quisesse recompor o orgulho:
-Agora não adianta! Minha calça já rasgou!
A minha mão ficara estendida ao ar, ficou por isso mesmo, tudo bem.
Mas, o que me assusta é que talvez não tivesse percebido que eu era, assim como ela, um estudante de direito. Já me disseram que com aqueles óculos de aro grosso preto eu fico parecendo arquiteto, até estilista. Mas, costureira?
Enfim, da história duas lições. A primeira é que eu preciso trocar de óculos urgentemente. A segunda é que, se eu quiser ajudar alguém de verdade, preciso andar - além do agasalho, guarda-chuva e caixa de remédios – com um kit que tenha agulha e carretel de linha na mochila! Ou talvez fosse melhor entregar como presente à moça desastrada e inapta em desviar uma perna da outra. Quem sabe dessa vez a ajuda não seja de mais valia que uma mão nua estendida e ela me dê um "obrigado"?
quinta-feira, 28 de julho de 2011
A Solidão dos Mortos
Talvez devesse sentir mais vezes a solidão dos mortos. Ou melhor, pelo menos a que penso que eles sentiriam. Não a sensação de bater em vãos nos muros e dar gritos mudos ignorados por todos que já não tem nem tempo nem paciência para os que já se foram ou já não interessam mais. Mas a que vem da necessidade introspectiva de se voltar pra dentro e ouvir o que aquela voz tão presente e tão deixada de lado chamada Eu tem a dizer.
O que teria a dizer sobre as viagens perdidas, ou das garotas apaixonantes que perderam o encanto no instante em que se tornaram reais? Ou das vezes que fugi covardemente por ter medo de ser chamado de covarde? Ou dos elogios e carícias que aceitei fingindo ser verdadeiros prêmios quando na verdade não passavam de medalha por ter sido um bom perdedor?
Afinal é tempo de parar de se deixar viver pelas escolhas não feitas. Tempo de deixar de ser mero expectador das próprias conquistas. Tempo de se tornar protagonista do pequeno espetáculo nos dado sem contrapartida nenhuma chamado: vida.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Nota social
Sobreviveu à própria vida.
Nunca arriscou,
Fingiu amar a mulher que não amava
E o cão que nunca quis.
Se contentou com o emprego medíocre,
Com o sonhar a felicidade do comercial de tevê.
Dizia ter medo de morrer,
Mas era mesmo de viver
Descobriu tarde.
Deixou filhos ingratos,
Netos que não davam carinho
E que nem questão disso faziam.
Morreu em paz no domingo.
Ou já estava morto muito antes sem saber?
sábado, 11 de junho de 2011
Dia dos namorados e outras aflições
Com o dia dos namorados se aproximando, fico observando a enorme apreensão dos namorados e namoradas que não sabem o que dar de presente. Medo de ser repetitivo, ou de não agradar, enfim, uma centena de fatores a se considerar em busca do presente perfeito. Tanta aflição me lembrou certa conversa que tive a tempos com um amigo sobre o amor, ou melhor, o conceito deste. Explico melhor.
A discordância se deu em face de uma frase de um poeta que dizia que o amor é sentimento velho, mas que nunca saíra de moda. Desta idéia, criou-se uma dúvida: Será que os poetas, filósofos e transeuntes já esgotaram todas as formas de expressar o amor de tal forma que todas as que vierem não são mais que repetição?
A minha defesa era por dizer sobre a infinitude deste sentimento, ao passo que meu amigo ia radicalmente em sentido contrário, dizendo que de uns tempos pra cá tudo é senão repetição. Não vou expor os argumentos para não cansá-los, apenas cabe constatar que gastamos algumas horas e não chegamos a lugar nenhum.
Hoje a controvérsia veio à tona, tanto pela proximidade da data como pela falta do que fazer. Ponderei um pouco e percebi então que a discussão não era assim tão importante. Afinal, não importa se esgotaram ou não até a exaustão, se acharam um conceito perfeito ou se acabaram todas as possibilidades de expressar o amor.
Se ainda resta criatividade pra expressá-los além do “I Love You”, das flores e caixas de bombom é coisa menor pra se preocupar. O simples fato de já existirem diversas formas e possibilidades de escolha já deveria servir de alívio pra quem não sabe o que dar no dia dos namorados.
Mas é claro, inventar um modo inédito é sempre bem-vindo, seja para um presente inesperado, seja para uma desculpa fantástica para os que se apresentarem de mãos vazias amanhã.