Entre o silêncio,
O meu respirar,
O pesar,
O adeus
A mim mesmo.
Os ponteiros falam,
As paredes chiam,
Mas eu,
Imóvel,
Extingo-me nesse vendaval
Em luto.
Tic-tac.
As horas batem
Os dias correm
E eu não me levanto do chão.
O sangue corre no meu corpo
Mas uma chaga aberta no meu peito,
Não me permite mais a mínima convulsão,
A mínima explosão por sonhar.
Restam-me
Contas a pagar
Cartas a responder
E
A minha desilusão
Tic-tac
As horas doem
O revolver me aguarda na cabeceira
Mas, pra quê apertar o gatilho
E abrir um rombo em mim
Se eu já degolei a minha vontade de viver?
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Aprendizado do dia
Conhecimento pode fazer homens grandes, mas não basta pra criar homens grandiosos.
Grandes obras, dominar povos, poder, dinheiro.
Não não...
Nada disso chega perto do que faz a compaixão do homem.
Grandes obras, dominar povos, poder, dinheiro.
Não não...
Nada disso chega perto do que faz a compaixão do homem.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Dobrando a minha esquina
Vozes, na verdade uma voz. Foi isso que me tirou daquele piloto automático enquanto caminhava pela calçada. Na verdade uma garota, não a beleza, a voz. Loira, de pele clara, olhos claros e de fato bonita,confesso.Tínhamos em comum o ônibus que tomávamos para o metrô, nada mais. Uma daquelas pessoas integrantes da paisagem cotidiana, tal como são os prédios e os carros, era assim como eu a via e assim como ela devia me ver. Mas hoje, depois de anos, por um acaso, ouvi a voz dela, falava ao telefone com algum amigo.
- E hoje você passa na casa do ... - foram-se aumentando os passos e diminuindo a voz até virar a esquina.
Estranho.
Dia a dia, lugares públicos que se enchem de sons, de passos, respirações ofegantes, buzinas, latidos, mas e quantas pessoas não passam pelas nossas vidas em silêncio?
Mas há também aquelas que ignoramos. Uma pessoa chata, um pregador de moral que nos escolhe como alvo, alguém que nos pede informação, um mendigo, um amigo. Muitas vozes, mas poucos ouvidos.
O mundo gira em silêncio, emudecido.
E as incontáveis vozes nas nossas cabeças?
Fantasmas do passado, do desejo, do futuro. Pessoas que não conhecemos que queríamos conhecer.
Frustrações.
Perturbações, falta de calma, sufoco psicológico.
Pensamentos enfim e talvez alguma conclusão provisória.
O mundo gira em silêncio, emudecido, mas frenético na minha cabeça
- E hoje você passa na casa do ... - foram-se aumentando os passos e diminuindo a voz até virar a esquina.
Estranho.
Dia a dia, lugares públicos que se enchem de sons, de passos, respirações ofegantes, buzinas, latidos, mas e quantas pessoas não passam pelas nossas vidas em silêncio?
Mas há também aquelas que ignoramos. Uma pessoa chata, um pregador de moral que nos escolhe como alvo, alguém que nos pede informação, um mendigo, um amigo. Muitas vozes, mas poucos ouvidos.
O mundo gira em silêncio, emudecido.
E as incontáveis vozes nas nossas cabeças?
Fantasmas do passado, do desejo, do futuro. Pessoas que não conhecemos que queríamos conhecer.
Frustrações.
Perturbações, falta de calma, sufoco psicológico.
Pensamentos enfim e talvez alguma conclusão provisória.
O mundo gira em silêncio, emudecido, mas frenético na minha cabeça
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Aniversário
Um bolo com velinhas pra soprar.
Uns parabéns,
Um tio velho com um pacote escondido nas mãos,
Umas palmas meio descordenadas espantosamente com um ritmo alegre,
Uns chapéuzinhos também para dar o ar de graça.
Um,
Dois,
Três
...
Cantemos.
Tudo como um relógio de bolso
O ritmo é o descompasso
e a previsão é a imprevisão.
O cheiro do pavil queimado,
A nostalgia de tempos idos.
Um sopro,
Um sorriso,
A luz da vela que se apaga agora caminha com o vento de meus lábios.
Eis a magia da vida,
Eis mais um ano.
Uns parabéns,
Um tio velho com um pacote escondido nas mãos,
Umas palmas meio descordenadas espantosamente com um ritmo alegre,
Uns chapéuzinhos também para dar o ar de graça.
Um,
Dois,
Três
...
Cantemos.
Tudo como um relógio de bolso
O ritmo é o descompasso
e a previsão é a imprevisão.
O cheiro do pavil queimado,
A nostalgia de tempos idos.
Um sopro,
Um sorriso,
A luz da vela que se apaga agora caminha com o vento de meus lábios.
Eis a magia da vida,
Eis mais um ano.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Final de semana
Domingo abafado,
O tic e o tac intermináveis.
Um estalo na mente e um impulso refletido na voz mecânica.
A esposa suspira frente ao marido imprestável:
Ah, por que os homens não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo?
O marido reflete,
fuma cachimbo,
suspira.
O dia corre sem solução para o problema
...
Pensar,agir
Pensar ou agir
Pensar e agir
Ao mesmo tempo?
Não não
É muita metafísica pra um dia santo, dia de descanso.
Fiquemos no doce ar do cachimbo.
O tic e o tac intermináveis.
Um estalo na mente e um impulso refletido na voz mecânica.
A esposa suspira frente ao marido imprestável:
Ah, por que os homens não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo?
O marido reflete,
fuma cachimbo,
suspira.
O dia corre sem solução para o problema
...
Pensar,agir
Pensar ou agir
Pensar e agir
Ao mesmo tempo?
Não não
É muita metafísica pra um dia santo, dia de descanso.
Fiquemos no doce ar do cachimbo.
domingo, 27 de setembro de 2009
Impressão
Às vezes a primeira impressão nos basta para saber quem é esta ou aquela pessoa, mas e quando não nos é suficiente?
Será que ainda chegaremos a alguma certeza sobre alguém ou sobre nós mesmos? Então, viveremos sempre de impressões?
Não sei, tenho a impressão de que não chegarei a nenhuma resposta.
Será que ainda chegaremos a alguma certeza sobre alguém ou sobre nós mesmos? Então, viveremos sempre de impressões?
Não sei, tenho a impressão de que não chegarei a nenhuma resposta.
sábado, 12 de setembro de 2009
O que você vai entender disso tudo?
Merda! Foi a melhor palavra que encontrei para tentar expressar a minha raiva sobre certos fatos da noite passada. Uma explicação deste descontrole? Não não, ficaria mais frustrado com o contraste entre a expressão de pesar nos olhos e o sentimento de indiferença que há no coração de quem ouve a minha história. Basta que saibam da perda dos meus freios.
Merda! E ainda aumenta meu desgosto, mas agora se volta a mim mesmo. Desgosto. Desgosto por não ser racional o suficiente para ponderar sobre os fatos. Ponderar que ao mesmo tempo das desgraças que me deixam com a vontade de sentir o chão como bom travesseiro após vários socos no estômago há muitas outras para me animar: família, amigos, sucesso no trabalho, diversão...
Ora, mas não me importa agora o que pode me levantar. Ora, não me venha perguntar se estou bem, ou se preciso de ajuda. Não quero! Tirem a mão e os olhos de mim! Não venha me chamar de ingrato!
O homem declarou e lutou por direitos de liberdade, humanidade e também expressou o direito de ser feliz.
Balela!
Esqueceram ou não fizeram questão de lembrar que a tristeza também é direito! E, como se não bastasse, reiteraram que ser feliz é uma obrigação de modo que é quase crime reclamar da vida ou se lamentar vez ou outra. Ora, tenho o direito de estar triste, de ter raiva nos dentes, de te odiar profundamente.
Mas no fim, o que importa no fundo tudo isso a quem lê?
Merda! É o único grito meu que as pessoas lembrarão sobre essa desconexão minha chamada raiva.
Desisto.
Este texto vai mesmo ao lixo!
Ficarei recluso no meu silêncio
Merda! E ainda aumenta meu desgosto, mas agora se volta a mim mesmo. Desgosto. Desgosto por não ser racional o suficiente para ponderar sobre os fatos. Ponderar que ao mesmo tempo das desgraças que me deixam com a vontade de sentir o chão como bom travesseiro após vários socos no estômago há muitas outras para me animar: família, amigos, sucesso no trabalho, diversão...
Ora, mas não me importa agora o que pode me levantar. Ora, não me venha perguntar se estou bem, ou se preciso de ajuda. Não quero! Tirem a mão e os olhos de mim! Não venha me chamar de ingrato!
O homem declarou e lutou por direitos de liberdade, humanidade e também expressou o direito de ser feliz.
Balela!
Esqueceram ou não fizeram questão de lembrar que a tristeza também é direito! E, como se não bastasse, reiteraram que ser feliz é uma obrigação de modo que é quase crime reclamar da vida ou se lamentar vez ou outra. Ora, tenho o direito de estar triste, de ter raiva nos dentes, de te odiar profundamente.
Mas no fim, o que importa no fundo tudo isso a quem lê?
Merda! É o único grito meu que as pessoas lembrarão sobre essa desconexão minha chamada raiva.
Desisto.
Este texto vai mesmo ao lixo!
Ficarei recluso no meu silêncio
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